22 de jul de 2013

O Espelho



Dinâmica de criação: Objeto narrador.


O Espelho

Desde a monarquia reis e rainhas postam-sediante de mim para ensaios e quadros famosos. Estou em castelos medievais ou em humildes residenciais, em bolsas de grife. Vejo alegrias e tristezas em todos os olhares, olha para mim na espera de alguma resposta. De dia sou cinzento, à noite as luzes formam ao meu redor um círculo mágico. Até hoje sou do tamanho e formas variadas, de materiais singelos ou sofisticados cristais venezianos. Quem se vê em mim são: mistérios infindáveis, um recolher de desabafos, cessar de lágrimas, calar de lamentos, acender de esperanças, arrependimentos e excitações. Sou motivo de espanto, desejos, prazeres e beleza, gosto de despir casais como fruta madura, posicionando-me acima de uma cama de motel.

Dizem que a beleza é fundamental: eu também acho. Em mina frente que todos se expõem. Tudo isso sou eu. Um olhar de espaço e tempo e teu reflexo ficou perdido no meu rosto.

Iara Bauer
Oficina de Literatura - vila dos Pescadores
Oficineiro Diego Petrarca

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