14 de mai de 2010



Diário de aula - Arteducadora Luisa Gabriela - Artes Visuais

1. A partir de hoje, aqui no blog da Descentralização, será possível acompanhar o desenvolvimento das experiências de aprendizagem em arte desenvolvidas nas Regiões Glória e Cruzeiro.

O projeto de ensino em arte que propus para o Edital 2010 da Descentralização da Cultura de Porto Alegre tem como objetivo gerar situações onde os oficinandos possam perceber os espaços da comunidade, as características visuais e estéticas, estudando os conteúdos da arte a partir da visualidade e especificidades da Comunidade da Rua Canudos - no Bairro Glória e Comunidade da Vila do Campinho - na Cruzeiro.

Além disso, um dos objetivos é a visita dos oficinandos aos espaços da arte na Cidade de Porto Alegre. Museus, Centros Culturais, Atelieres, e obras de arte públicas.

1.1 As atividades serão as mesmas para as duas turmas, assim será possível perceber e comparar de que maneira os alunos entendem os espaços, vivenciam e atuam neles. Além de perceber as diferenças no desenvolvimento estético de cada grupo.

1.2 Perfis das turmas:

Glória – Creche Criança Feliz:

A turma é basicamente composta por meninas. É interessante pois a nossa identificação se dá pelo fato de eu também ser uma “menina” e, assim elas se afeiçoaram pelo fato de eu também pintar as unhas e usar maquiagens e coisas de meninas. A turma é composta por mais ou menos 15 alunos.

As condições de ensino são ótimas, a região Glória é uma Região muito peculiar, pois está localizada num ambiente que tem uma área de arborização muito grande. E também a relação de vivencia do espaço não se dá na planaridade da cidade e sim no alto do morro, há uma inclinação que faz com que a movimentação dos corpos e a vivencia do lugar tenham um tempo mais lento.

Mapa da Região Glória

Cruzeiro – Centro Esportivo Cultural e Assistencial da Vila do Campinho:

Em oposição à Rua Canudos (Glória) a Vila do Campinho (Cruzeiro) tem um espaço totalmente relativo à planaridade do terreno, da cidade e um aspecto de urbanicidade muito maior. Os ônibus, carros, as construções, os aspectos relativos ao espaço urbano estão bastante marcados. O espaço é totalmente urbano, a natureza está fora dali. A movimentação dos corpos de dá de maneira mais rápida e a tensão é bem maior. As condições de trabalho são boas, o espaço é amplo e a comunidade e cheia de construções complexas em seus desenhos, suas cores e formas.

Mapa da Região Cruzeiro

1.3 Para iniciar o projeto introduzi nas turmas a idéia de cartografia. Os mapas como instrumentos que registram o desenho de um lugar. Cada turma foi convidada a fazer mapas individuais (com o desenho do percurso do local onde ocorre a oficina até a sua casa).

Apresento aqui alguns dos trabalhos realizados pelos alunos:

Alunos Canudos (Bairro Glória):

Alunos Vila do Campinho (Cruzeiro):




Até a próxima postagem.

Luisa Gabriela








4 de mai de 2010

A PROCURA DE UM CORPO

Este título a princípio pode parecer que estamos à procura de um outro corpo, outro, de alguém que não somos nós. Realmente, procuramos o corpo alheio, de diversas formas, mas, o que nos interressa aqui, é a procura pelo nosso próprio corpo, que de um modo geral, vai se perdendo com a vida que a gente vai levando.. e o corpo atrás..... Sempre gosto de mostrar, uma cena recorrente no nosso cotidiano. Adultos levando pela mão crianças, elas, com um passo bem menor, tentando andar no mesmo passo...que descompasso..no final, as crianças estão nas pontinhas dos pés , todas durinhas, com a cabeça prá frente e prá trás, tentando acompanhar este adulto, que está preocupado com o tempo, com o trabalho, com as tantas coisas das vida adulta.....
Pois bem, o que queremos então mostrar, que trabalho é esse de corpo que nos faz acolher com carinho e parcimônia esta corpo tão esquecido, machucado e triste ?
Na verdade é preciso estar com vontade de entrar em contato com nós mesmos... Os movimentos que fazemos, são prá nos deixar felizes, com vontade de falar, conversar com os outros, de viver uma comunhão de corpos carentes e tristes, mas que através dos movimentos, vão se reencontrando, aos poucos, aos pedaçinhos, com medo, amor e compaixão, que como alguém já disse um dia o corpo não tem rancor.. Que bom, sempre existe um começo prá se começar...então vamos lá;...bolinha no pé, olhe prá ele, o seu pé vai te agradecer, com certeza!

Bia Diamante – oficineira de dança