25 de jun. de 2013

MARIDO



Dinâmica: Apelo, fazer um apelo usando a argumentação exagerada como um modo de convencimento para a causa desejada. Oficina de Literatura – região Cristal – Oficineiro Diego Petrarca

Marido - Graça Bernardes

Oi Marido, dá pra explicar pra que tanta lamúria?
ou será que estou cometendo alguma injúria?

Quando é que vais pensar positivamente?
por favor, para que sofrer antecipadamente?

Marido, deixa o som do vizinho, está alto?
sabe o que mais? bota tampão no ouvido
marido, acho até que o som é maneirinho!

Chega de falar em doença, dói ali, fisgada ali.
E eu como fico nisso tudo?
também tenho dores, afinal já não sou criança.
está frio? coloca um sobretudo!

O que foi marido?
Ah! a inquilina não pagou o aluguel?
Mas bah! pede a casa, ora!
fala com ela e resolve.
deixa de choramingar por qualquer níquel!

Marido, chega!
não aguento mais, pra que tanta insatisfação?
olha pra mim, vê se ainda não dou um caldo?
Esquece, vem cá coração!

Marido, tu foste ao médico? e o coração tá ruim?
puxa, e eu aqui pensando, pensando...
que tal uma cochiladinha?
lembra o quanto é bom dormir de conchinha?

Marido, chega por favor!
pensa, para de queixa,
marido, olha aqui, ainda posso ser uma gueixa!

Falar de dinheiro, não!
tem para o arroz e feijão?
toma aqui este e compra ovo e pão.

Não quero saber se a criança dos vizinhos,
se e estão gritando, correndo ou falando palavrão
faz que não escuta, homem de Deus!
pára com essa irritação!

Ainda ontem estávamos lembrando, lembrando...
mas e aí, foi mesmo quando?
só quero que pares de lamúrias, queixas ou gueixas, deixa pra lá!
nada deve importar, vai viver a vida, dá um tempo, que tal despertar?

Marido, eu sei, te compreendo, mas será que dá
pra deixar as doenças só um pouquinho?
pega o violão e vamos cantar músicas de Vinícius e Toquinho

Estou com saudades dos passeios, dançar e cantar, 
do amigo e  companheiro, que conheci num bar
de todos és pra mim o melhor, sem vaidade
nem se preocupa com a idade
marido, eu te amo de verdade

Calma, calma, entendi, sei...
visita da tua irmã mais velha vai tirar a nossa privacidade?
isso é bom sinal, hum...
vamos deixar pra lá, ah sim, é verdade
vamos aproveitar a vida sem penalidades!



Dinâmica: Utilizar o fragmento destacado do poema de Vinícius de Moraes, Duas Mocinhas de Botafogo, e reinventar a história.
Oficina de Literatura - região Sul - Oficineiro Diego Petrarca

O Espetáculo - Iara Bauer

Todas as noites, depois que as luzes do teatro se apagam, sento nesta poltrona, é a hora que me vem às lembranças. Lembro-me bem das duas meninas já adolescentes, Marina e Marília, vindas do interior, com grandes sonhos, cidade grande, mais recursos, bom para fazer carreira.

Mas a vida não era fácil, e os dias tampouco, elas tinham tropeços que ainda as abalavam. Com os pés cansados de tanto andar, sapatos com aparentes furos, sem fazer nenhuma refeição digna, pois o dinheiro que trouxeram era pouco, não podiam gastá-lo demasiadamente, faziam apenas uma refeição no dia e às vezes repartiam com alguém na mesma situação.

Era raro quando conseguiam algo especial: um pouco de arroz requentado do barzinho da esquina. As roupas eram poucas com o uso constante já surradas e os cotovelos mostravam-se puídos, mas apesar de tudo, no corpos moços e em suas mentes: grandes sonhos.

Os dias passam. E as vi nova, ente numa pracinha. Marília e Marina comendo um pedaço de pão dormido e um copo de café frio. Foi quando as abordei. 

- Meu nome é Aurélio. Mas todos me   chamam de seu Lélo. 

Após uma longa conversa, nos despedimos, dei mais alguns passos e retornei. Perguntei se elas tinham onde ficar, a resposta oi não. Então eu disse: não tenham medo, venham comigo, trabalho e moro num teatro  lá tem bastante espaço, por esta noite vou dar-lhes guarida. Amanhã é outro dia.

Há muito tempo eu vivia sozinho e fiquei feliz em ter pessoas jovens como companhia. 

As duas resolveram ficar e com o passar dos tempos introduzi Marina e Marília no trabalho com a trupe teatral e elas que se destacavam rapidamente. 

Marília casou-se com um integrante do grupo teatral. de vez em quando  me escrevem para dizer como estão. 

Marina até hoje é uma das atrações mais esperadas da temporada, esgotando os ingressos toda as noites. O espetáculo principal é a Menininha de Botafogo.

19 de jun. de 2013


Sr Prefeito
Lenir Boucinha

Meu gaudério prefeito
desta capital das querências
venho lhe implorar
uma audiência

que os letreiros dos ônibus
sejam mais visíveis
quando eu os utilizo
sinto muita aflição
pois tenho pouca visão

Sr. Prefeito Fortunatti
por favor atenda o meu pedido
para não mais
amolar os indivíduos



A sugestão era usar a mesma temática do poema APELO de Carlos Drummond de Andrade e criar o próprio apelo, a partir de um tema escolhido. A linguagem devia ser exageradamente apelativa para a causa abordadahospedagem site
Oficineiro Diego Petrarca - Oficina de Literatura - Região Cristal - Clube de Mães do Cristal

18 de jun. de 2013

As mocinhas de Botafogo



"Mas eram meninas moças
de pele fresca e macia
o nome ilustre que tinham
de um pai desaparecido
nelas deixara a evidência
de tempos mais bem vividos"

As mocinhas de Botafogo - Jane Rosa

As mocinhas de Botafogo eram na verdade mulheres que acabaram de sair da infância, que fora colorida, para uma adolescência em preto e branco.

A mãe, uma mulher doente que ficara só, não tinha condições financeiras de manter suas meninas, nem ela própria. Viviam de um passado presente e ficavam muito mal. 

Eram jovens de pele fresca e macia, que sonhavam com o amor e um futuro melhor.

Marina, que era mais razão, falava a irmã Marília:
- Poderíamos estudar e trabalhar para ajudar nosso sustento.
Marília, mais sonhadora, dizia:
- Como ? se nem temos o que comer.
- Mas se lutarmos por dias melhores, sairemos dessa situação.
- Quem sabe sair para as ruas a procura de alguém que nos ajude?
- Nos tempos de hoje, as pessoas se preocupam consigo mesmas, não podemos contar com a sorte!
- Então, sairemos a procura de tesouros escondidos pelas ruas e quem sabe encontraremos um príncipe?
- Pare de sonhar, Marília: em nossos caminhos encontraríamos só sapos!
- Então o que sugere?
- Trabalharmos, vamos a procura, alguma coisa iremos encontrar, nem que seja um serviço temporário.
- Ah! eu não teria coragem de suplicar por um trabalho, eu vou a procura de um amor.

E Marina, resignada, ficou a planejar seu futuro com coisas reais e palpáveis, enquanto a sonhadora Marília, a sonhar com seu príncipe.   

Proposta de criação: A partir do fragmento destacado pela oficinanda, do poema Balada das meninas de Botafogo, de Vinícius de Moraes, desenvolver o trecho mudando o percurso da história.
Diego Petrarca – oficina de Literatura

10 de jun. de 2013

A P E L O



APELO - Francisca Batista

Oh, meu senhor governante
veja quanta insensatez
parece  até heresia
o leite de cada dia
agora é a bola da vez

Ao senhor que é o mais mandante
peço: pare, pense um instante
em nossa população
da criança ao ancião

Com uma medida provisória
acabe com essa história
do leite contaminado
ali no supermercado
ao alcance de qualquer mão

Talvez pra sua excelência 
isto lhe cause estranheza
o leite que lhe é servido
vem da mais pura holandesa

Premiada na Expointer
vaca nobre, cria ao pé
sai destas tetas sagradas
o leite pro seu café

Nós outros do andar de baixo
resta que Deus nos acuda
pois para sua excelência
somos a raia miúda

que por ser mais exigente
MARIANTONIETAMENTE
tomem leite desnatado
formol, média, xixi
isso daí é leite aditivado

Pois só olhe mais uma vez
além de apelo, um aviso
abra os olhos, olhe ao redor
desate logo esse nó
e faça o que for preciso

Sem alarde, sem comoção
logo mais tem eleição
e se o ajuste de contas
não foi o que era esperado

Paciência sua excelência
a competência falhou
ou o leite azedou
ou então foi derramado

A sugestão era usar a mesma temática do  poema APELO de Carlos Drummond de Andrade e criar o próprio apelo, a partir de um tema escolhido. A linguagem devia ser exageradamente apelativa para a  causa abordada.( Diego Petrarca – Oficina de Literatura – Região Cristal – Clube de Mães do Cristal)