3 de jul. de 2013

FESTA JUNINA OFICINA CAPOEIRA + ONG SOLIDARIEDADE



Abaixo fotos da Festa Junina realizada no dia 27/06/13 passado, pelo grupo da oficina de Capoeira que acontece na Região Cristal.
O Iniciativa aconteceu através de um trabalho de parceria da oficina de Capoeira da Descentralização/SMC, oficineira Profª Maíra Lopes de Araújo-"Janaína" e ONG Solidariedade, Coord. Geral Sergio Amaral, e contou com a participação e apoio de colaboradores voluntários e oficinandos.












A P E L O




A sugestão era usar a mesma temática do  poema APELO de Carlos Drummond de Andrade e criar o próprio apelo, a partir de um tema escolhido. A linguagem devia ser exageradamente apelativa para a  causa abordada. Oficina de literatura – Clube de Mães do Cristal – Região Cristal – Ofic. Diego Petrarca

APELO – Silvia Agnes 

Aquele Deputado maroto
escapou de lombo liso
eram gravações não autorizadas
ai que beleza, aqui é o paraíso!

alçando os píncaros da picaretagem
talvez o grau máximo de danação
existe mesmo algo tão surreal
como o malfadado mensalão?

primeiro só dor de barriga
depois revelou-se enorme diarreia
eis que o inocente leite de caixinha
vem batizado 10% de ureia

 licença pra construir um Porto Alegre
só se pagar propina tem licença
pra Secretaria Municipal de Obras
e quem disse que crime não compensa?

C A S A




Dinâmica de  criação: Criar um texto curto co as indicações citadas em aula, perceber que vai se compondo uma narrativa sem saber o que exatamente se está contando. A narrativa acontece a partir do improviso da escrita. Oficina de literatura – Vila dos Pescadores – Região Sul – Ofic. Diego Petrarca


Casa - Helena Braga

Chaleria. Chora no fogo vermelho. Tudo estranho. Toca a campainha. Desço escadas. Vou até a beira do rio. Sinto o vento e penso: o amor só não basta.
Vento frio.
- Ei, estou aqui.
-Onde?
Gritaria. Eu ainda te amo. 

25 de jun. de 2013

MARIDO



Dinâmica: Apelo, fazer um apelo usando a argumentação exagerada como um modo de convencimento para a causa desejada. Oficina de Literatura – região Cristal – Oficineiro Diego Petrarca

Marido - Graça Bernardes

Oi Marido, dá pra explicar pra que tanta lamúria?
ou será que estou cometendo alguma injúria?

Quando é que vais pensar positivamente?
por favor, para que sofrer antecipadamente?

Marido, deixa o som do vizinho, está alto?
sabe o que mais? bota tampão no ouvido
marido, acho até que o som é maneirinho!

Chega de falar em doença, dói ali, fisgada ali.
E eu como fico nisso tudo?
também tenho dores, afinal já não sou criança.
está frio? coloca um sobretudo!

O que foi marido?
Ah! a inquilina não pagou o aluguel?
Mas bah! pede a casa, ora!
fala com ela e resolve.
deixa de choramingar por qualquer níquel!

Marido, chega!
não aguento mais, pra que tanta insatisfação?
olha pra mim, vê se ainda não dou um caldo?
Esquece, vem cá coração!

Marido, tu foste ao médico? e o coração tá ruim?
puxa, e eu aqui pensando, pensando...
que tal uma cochiladinha?
lembra o quanto é bom dormir de conchinha?

Marido, chega por favor!
pensa, para de queixa,
marido, olha aqui, ainda posso ser uma gueixa!

Falar de dinheiro, não!
tem para o arroz e feijão?
toma aqui este e compra ovo e pão.

Não quero saber se a criança dos vizinhos,
se e estão gritando, correndo ou falando palavrão
faz que não escuta, homem de Deus!
pára com essa irritação!

Ainda ontem estávamos lembrando, lembrando...
mas e aí, foi mesmo quando?
só quero que pares de lamúrias, queixas ou gueixas, deixa pra lá!
nada deve importar, vai viver a vida, dá um tempo, que tal despertar?

Marido, eu sei, te compreendo, mas será que dá
pra deixar as doenças só um pouquinho?
pega o violão e vamos cantar músicas de Vinícius e Toquinho

Estou com saudades dos passeios, dançar e cantar, 
do amigo e  companheiro, que conheci num bar
de todos és pra mim o melhor, sem vaidade
nem se preocupa com a idade
marido, eu te amo de verdade

Calma, calma, entendi, sei...
visita da tua irmã mais velha vai tirar a nossa privacidade?
isso é bom sinal, hum...
vamos deixar pra lá, ah sim, é verdade
vamos aproveitar a vida sem penalidades!



Dinâmica: Utilizar o fragmento destacado do poema de Vinícius de Moraes, Duas Mocinhas de Botafogo, e reinventar a história.
Oficina de Literatura - região Sul - Oficineiro Diego Petrarca

O Espetáculo - Iara Bauer

Todas as noites, depois que as luzes do teatro se apagam, sento nesta poltrona, é a hora que me vem às lembranças. Lembro-me bem das duas meninas já adolescentes, Marina e Marília, vindas do interior, com grandes sonhos, cidade grande, mais recursos, bom para fazer carreira.

Mas a vida não era fácil, e os dias tampouco, elas tinham tropeços que ainda as abalavam. Com os pés cansados de tanto andar, sapatos com aparentes furos, sem fazer nenhuma refeição digna, pois o dinheiro que trouxeram era pouco, não podiam gastá-lo demasiadamente, faziam apenas uma refeição no dia e às vezes repartiam com alguém na mesma situação.

Era raro quando conseguiam algo especial: um pouco de arroz requentado do barzinho da esquina. As roupas eram poucas com o uso constante já surradas e os cotovelos mostravam-se puídos, mas apesar de tudo, no corpos moços e em suas mentes: grandes sonhos.

Os dias passam. E as vi nova, ente numa pracinha. Marília e Marina comendo um pedaço de pão dormido e um copo de café frio. Foi quando as abordei. 

- Meu nome é Aurélio. Mas todos me   chamam de seu Lélo. 

Após uma longa conversa, nos despedimos, dei mais alguns passos e retornei. Perguntei se elas tinham onde ficar, a resposta oi não. Então eu disse: não tenham medo, venham comigo, trabalho e moro num teatro  lá tem bastante espaço, por esta noite vou dar-lhes guarida. Amanhã é outro dia.

Há muito tempo eu vivia sozinho e fiquei feliz em ter pessoas jovens como companhia. 

As duas resolveram ficar e com o passar dos tempos introduzi Marina e Marília no trabalho com a trupe teatral e elas que se destacavam rapidamente. 

Marília casou-se com um integrante do grupo teatral. de vez em quando  me escrevem para dizer como estão. 

Marina até hoje é uma das atrações mais esperadas da temporada, esgotando os ingressos toda as noites. O espetáculo principal é a Menininha de Botafogo.