10 de set. de 2013

AMOR FEINHO



Dinâmica de criação: Apresentar um amor pela diferença, pela estranheza, mas ainda com carinho.  
A partir do poema Amor feinho, de Adélia Prado.

Ele é horroroso quando me ignora
é cruel quando me deixa esperando
é falso quando diz que me ama
no sábado à tarde quando lavo,
compulsoriamente,
a cozinha e a varanda
tenho vontade de virar o balde,
na sua cabeça loira
tenho vontade de jogar o pano
no seu rosto bonito
as horas passam, a limpeza já está feita,
e ele é uma ausência concreta
ele é feio, por dentro e por fora
são muito feios os seus lindos olhos azuis
também é horrível seu sorriso cativante,
mas vai ficar maravilhoso.
Quando, enfim, ele chegar.

Silvia Agnes - oficina de Literatura - Região Cristal - Clube de Mães do Cistal
Oficineiro Diego Petrarca


9 de set. de 2013

Dinâmica de criação:



Entrevistar um colega e compor  um personagem com as palavras respondidas pelo colega.


O sonho de Mark Twin - Maria do Carmo Braga Vasconcellos

Começo nossa história com uma frase escrita por ele: "a gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela: é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau".

O que me faz lembrar aquele menino que adorava se divertir lendo gibis na biblioteca, naquela pequena cidade do interior. Nessa época não se importava ou não tinha consciência dos problemas e inseguranças que os adultos poderiam ter, para ele improváveis fracassos, pois sentia-se como os seus super heróis, retratados nas revistas com seus desenhos coloridos que seus olhinhos devoraram. O sonho, o desejo de escrever estava latente, como uma semente que se planta e com força germina.

A vida passando, o menino crescendo, convivendo com novas imagens e grandes pessoas, inclusive sua amada esposa, que num momento lúdico, confessou ter dado seus melhores beijos, começo de uma família, um de seus sonhos realizados. Porém, sua ambição em relação aos desejos era muito grande, e continuou sua jornada pela vida em busca do ideal. Estudou e formou-se na Universidade, concluiu pós graduação, Mestrado, especialização e até obras publicadas teve. Isso não fez com que ignorasse a mãe natureza, não deixou de sentir o agradável cheiro de grama molhada ou o forte cheiro de canela, continuou admirando o céu azul, ouvindo músicas que lhes eram sonoras e lhe serviam de companhia nas horas que precisa estar só.  

Quando precisava fugir das exigências da vida, ficava quieto. Refletia sobre os amigos e o quanto eles eram importantes e tantas as formas de afetos que deixou de expressar. 

Hoje com a maturidade que poucos alcançam, postado a olhar a lua, que prateando a tudo e a todos, lhe traz de volta o seu sonho maior: escrever um romance. Por conhecer sua capacidade de transformar sonhos em realizações com seus super heróis dos gibis, ao se libertar, creio em breve ler um romance ou até mesmo uma novela, com um pseudônimo qualquer contando uma história que prenderá a atenção do leitor do início ao final, pois essa história será contada com o coração e na cumplicidade de uma vida.

oficina de literatura - Diego Petrarca - região sul

Dinâmica de criação:



Desdobramentos interrogativos sobre o poema 
De quem é o olhar? -
Fernando Pessoa
  
Interrogações - Amelia Koch

Enquanto penso, que olhares me espreitam?
Enquanto olho,que pensamentos me olham?
Resumos de realidade podem ajudar a suportar a vida?
Limites do copro podem ter intrusões malignas no espírito?
Às vezes dás tristes passos por caminhos longe da realidade? 
Enquanto dás passos tristes, qual a  tua realidade?
Num obscuro momento do universo, se acendessem só velas, a vaga luz poderia
plantar na lama desejos fracos?
Se esqueces o espaço misterioso de teu ser, que sentido darás ao rio da vida que passa
com as horas, metafisicamente?

Oficina de literatura - Diego Petrarca - região sul

MONTAGEM TEATRAL COMO MOTE DE PESQUISA E EXPERIMENTAÇÃO




Em meu terceiro ano na Descentralização meu trabalho foi se adaptando e se direcionando cada vez mais para a montagem cênica. Inicialmente partia de elementos da linguagem teatral para posteriormente pensar na elaboração da cena a ser apresentada no final do processo, percebi que quando chegávamos na cena é que o interesse pelos elementos como expressão corporal e vocal começavam a surgir. No segundo ano criei muitas cenas a partir de improvisação em pequenos grupos partindo de temas que eu estipulava como estímulos, mas como o grupo era muito instável só no último mês conseguimos elaborar uma cena criada através de improvisações das crianças com cadeiras, foi muito interessante a experiência e através da estrutura cênica consegui estimular a pesquisa de variações no texto, no corpo, ritmo, volume de voz e tudo o mais. Neste terceiro ano, radicalizo e parto do trabalho de montagem de textos curtos, iniciamos com a leitura dos textos, reflexão sobre o tema e partimos para a montagem das cenas.
Na oficina que desenvolvo no Ferrinho, serão 3 cenas: Entrevista de Emprego (autor desconhecido), Superstição Eu Não! (autor desconhecido) e Espelho Vaidoso de Marcus Di Bello. O trabalho inicia na primeira hora com todos os alunos em jogos de concentração, jogo e aquecimento e as duas horas seguintes em pequenos grupos direcionados para a montagem das cenas, ao final apresentamos o processo uns para os outros e conversamos sobre.
No final de agosto assumi a oficina no colégio Roque Gonzales com adolescentes, tive contato com o trabalho da turma desenvolvido pelo colega Rodrigo Scalari no ano passado, mantivemos contatos e consegui concretizar mais um ano de trabalho no colégio, agora sobre minha orientação. No Roque pretendo seguir com a proposta de montagem e no primeiro dia levei duas propostas de textos, ambos de comédia para que fossem lidos para semana que vem. A turma é grande, meus planos de montagem também e o tempo é curtíssimo, mas acredito no potencial da turma e dedicarei mais encontros para dar conta, não tenho dúvidas que será lindo!

oficinandos Ferrinho - Região Humaita

oficinandos Roque Gonzales - Região Centro Sul

22 de ago. de 2013

TEXTOS EXERCICIOS DAS OFICINAS DE LITERATURA



Dinâmica: Reescrever o poema narrativo Balada das mocinhas de Botafogo, de Vinícius de Moraes, inventando outro desfecho.

Saga das meninas - Geraldo Batista

Eram duas menininhas 
Filhas de boa família:
Uma chamada Marina
A outra chamada Marília.
Os dezoito da primeira
Eram brejeiros e finos
Os vinte da irmã cabiam
Numa mulher pequenina.
Sem terem nada de feias 
Não chegavam a ser bonitas
Mas eram meninas-moças
De pele fresca e macia.
O nome ilustre que tinham
De um pai desaparecido
Nelas deixara a evidência
De tempos mais bem vividos.
A mãe pertencia à classe
Das largadas de marido
Seus oito lustros de vida
Davam a impressão de mais cinco.
Sofria muito de asma
E da desgraça das filhas
Que, posto boas meninas
Eram tão desprotegidas
E por total abandono
Davam mais do que galinhas.

E dentro da casa aquela
Mãe pobre e melancolia.
Quando à noite as menininhas
Se aprontavam pra sair
A loba materna uivava
Suas torpes profecias.

De fato deve ser triste
Ter duas filhas assim
Que nada tendo a ofertar
Em troca de uma saída
Dão tudo o que têm aos homens:
A mão, o sexo, o ouvido
E até mesmo, quando instadas
Outras flores do organismo.
Foi assim que se espalhou
A fama das menininhas
E foi assim que encontraram
aqueles dois rapazolas
se gostarem e se enamoraram
Marina e Marília
Uma gostou do João a outra do Jesse
amor a primeira vista
você sabe como é
se prometeram em casamento
e para a sorte das meninas
deu tudo em papa fina
Marina ficou com João
Marília com Jesse
os dois tiveram filhos
Marina e João, tiveram Miura
Marília e Jesse tiverem José
Foram felizes para sempre
Veja a sorte como é

OFICINA DE LITERATURA - REGIÃO CRISTAL - CLUBE DE MÃES DO CRISTAL 
OFICINEIRO DIEGO PETRARCA