9 de set. de 2013

MONTAGEM TEATRAL COMO MOTE DE PESQUISA E EXPERIMENTAÇÃO




Em meu terceiro ano na Descentralização meu trabalho foi se adaptando e se direcionando cada vez mais para a montagem cênica. Inicialmente partia de elementos da linguagem teatral para posteriormente pensar na elaboração da cena a ser apresentada no final do processo, percebi que quando chegávamos na cena é que o interesse pelos elementos como expressão corporal e vocal começavam a surgir. No segundo ano criei muitas cenas a partir de improvisação em pequenos grupos partindo de temas que eu estipulava como estímulos, mas como o grupo era muito instável só no último mês conseguimos elaborar uma cena criada através de improvisações das crianças com cadeiras, foi muito interessante a experiência e através da estrutura cênica consegui estimular a pesquisa de variações no texto, no corpo, ritmo, volume de voz e tudo o mais. Neste terceiro ano, radicalizo e parto do trabalho de montagem de textos curtos, iniciamos com a leitura dos textos, reflexão sobre o tema e partimos para a montagem das cenas.
Na oficina que desenvolvo no Ferrinho, serão 3 cenas: Entrevista de Emprego (autor desconhecido), Superstição Eu Não! (autor desconhecido) e Espelho Vaidoso de Marcus Di Bello. O trabalho inicia na primeira hora com todos os alunos em jogos de concentração, jogo e aquecimento e as duas horas seguintes em pequenos grupos direcionados para a montagem das cenas, ao final apresentamos o processo uns para os outros e conversamos sobre.
No final de agosto assumi a oficina no colégio Roque Gonzales com adolescentes, tive contato com o trabalho da turma desenvolvido pelo colega Rodrigo Scalari no ano passado, mantivemos contatos e consegui concretizar mais um ano de trabalho no colégio, agora sobre minha orientação. No Roque pretendo seguir com a proposta de montagem e no primeiro dia levei duas propostas de textos, ambos de comédia para que fossem lidos para semana que vem. A turma é grande, meus planos de montagem também e o tempo é curtíssimo, mas acredito no potencial da turma e dedicarei mais encontros para dar conta, não tenho dúvidas que será lindo!

oficinandos Ferrinho - Região Humaita

oficinandos Roque Gonzales - Região Centro Sul

22 de ago. de 2013

TEXTOS EXERCICIOS DAS OFICINAS DE LITERATURA



Dinâmica: Reescrever o poema narrativo Balada das mocinhas de Botafogo, de Vinícius de Moraes, inventando outro desfecho.

Saga das meninas - Geraldo Batista

Eram duas menininhas 
Filhas de boa família:
Uma chamada Marina
A outra chamada Marília.
Os dezoito da primeira
Eram brejeiros e finos
Os vinte da irmã cabiam
Numa mulher pequenina.
Sem terem nada de feias 
Não chegavam a ser bonitas
Mas eram meninas-moças
De pele fresca e macia.
O nome ilustre que tinham
De um pai desaparecido
Nelas deixara a evidência
De tempos mais bem vividos.
A mãe pertencia à classe
Das largadas de marido
Seus oito lustros de vida
Davam a impressão de mais cinco.
Sofria muito de asma
E da desgraça das filhas
Que, posto boas meninas
Eram tão desprotegidas
E por total abandono
Davam mais do que galinhas.

E dentro da casa aquela
Mãe pobre e melancolia.
Quando à noite as menininhas
Se aprontavam pra sair
A loba materna uivava
Suas torpes profecias.

De fato deve ser triste
Ter duas filhas assim
Que nada tendo a ofertar
Em troca de uma saída
Dão tudo o que têm aos homens:
A mão, o sexo, o ouvido
E até mesmo, quando instadas
Outras flores do organismo.
Foi assim que se espalhou
A fama das menininhas
E foi assim que encontraram
aqueles dois rapazolas
se gostarem e se enamoraram
Marina e Marília
Uma gostou do João a outra do Jesse
amor a primeira vista
você sabe como é
se prometeram em casamento
e para a sorte das meninas
deu tudo em papa fina
Marina ficou com João
Marília com Jesse
os dois tiveram filhos
Marina e João, tiveram Miura
Marília e Jesse tiverem José
Foram felizes para sempre
Veja a sorte como é

OFICINA DE LITERATURA - REGIÃO CRISTAL - CLUBE DE MÃES DO CRISTAL 
OFICINEIRO DIEGO PETRARCA

MAIS TEXTOS DAS OFICINAS DE LITERATURA



Dinâmica: Um objeto que narra a história.

Os Pêlos - Helena Braga

Numa tarde de domingo pela janela, voo,  somos muito iguais,  saímos da cama , do sofá passamos entre as frestas das cortinas, vamos e direção ao sol, o vento nos traz de volta rolamos parta os cantos da sala, e lá vem a vassoura nos empurra escada abaixo entre um degrau e outro. Me vejo nos espelhos. Uma cor bege dourada se confunde com o brilho do sol e a vassoura não consegue nos pegar.

- Ai! lá vem a máquina do inferno sugando tudo que vem pela frente. 

Sei que muitos nos detestam, mas aqui estamos e estaremos em toda parte e em toda casa que tiver um bicho chamado cachorro.

OFICINA DE LITERATURA - REGIÃO SUL - VILA DOS PESCADORES
OFICINEIRO DIEGO PETRARCA

8 de ago. de 2013

OFICINA DE CAPOEIRA - REGIÃO CRISTAL

 APRENDENDO A TOCAR BERIMBAU)

"A madeira é biriba, é madeira de Lei,
E já tá em extinção no Brasil que eu sei...
Berimbau é o Axé, alma da Capoeira,
E a alma da mata é a madeira..."
(Autora: Maíra Lopes de A. - Professora Janaína)



TREINO / ALONGAMENTO

"É bonito ver,
Encanta no olhar...
Capoeira pra ser bom,
Nunca para de treinar..."
(Autora: Maíra Lopes de A. - Professora Janaína)


 EXECUTANDO UMA ARMADA, COM A PERNA ALTA

"Foi o meu Mestre guerreiro,
Que me ensinou a jogar...
A levantar da rasteira,
Seguir em frente e lutar..."
(Autora: Maíra Lopes de A. - Professora Janaína)




GINGANDO, EM UM JOGO

"Balança ê, eê
Balança ê que eu quero ver...
Solta a mandinga, vem balançar,
Capoeira é cultura popular...
Balança ê, eê
Balança ê que eu quero ver..."
(Autora: Maíra Lopes de A. - Professora Janaína)

6 de ago. de 2013

Dinâmica - Objeto narrador: Xícara



Oficina literatura Vila dos Pescadores
Dinâmica  - Objeto narrador: Xícara
Pertencia a uma família nobre, que me dava o devido valor. Tinha um lugar de destaque, o melhor da sala, a cristaleira. Dali, saía nas tardes de domingo, para preencher as tardes de belas senhoras, onde sempre ouvia elogios à minha beleza.
Uma porcelana de bordas douradas, com lindas flores pintadas a mão.
Sempre fui bela, e apesar do tempo passado ainda tenho um pouco de beleza, mas hoje já não circulo pelas altas rodas.
Hoje, estou aqui em um brechó qualquer, no aguardo, por uma pessoa, que talvez não me dê valor, mas tenho esperança de ser resgatada por uma senhorinha que saberá reconhecer minha fineza.
Quem sabe, me recolocar nas rodas de uma bela tarde de domingo, preenchida com o melhor chá inglês.
Jane Rosa